Vencendo a ansiedade



 
Vencendo a ansiedade
Autor: Pr. Welfany Nolasco Rodrigues
-Tema: CURA INTERIOR
“A ansiedade no coração do homem o abate, 
mas a boa palavra o alegra”
Provérbios 12.25
-Introdução: A ansiedade é um dos grandes males modernos. A pessoa ansiosa se pré-ocupa antes do tempo, antecipa os sofrimentos e vive hoje os problemas de amanhã (e amanhã de novo). Muitas vezes criamos expectativas que fantasiam uma realidade difícil de acontecer, o que gera frustração.


 
Existem dois tipos principais de ansiedade:
-Ansiedade POSITIVA: gerada por sonhos e expectativas de coisas boas que possam acontecer, como por exemplo, uma festa, mudança ou aquisição de um bem. Uma característica da ansiedade positiva é que não queremos parar de pensar no que estamos esperando. Isso também gera cansaço e sobrecarrega as emoções.
-Ansiedade NEGATIVA: gerada pelo medo de que algo ruim aconteça, como por exemplo, resultado de um exame, notícias de alguém distante ou não conseguir arcar com as contas. A ansiedade negativa se caracteriza por uma luta mental para não pensar no problema, mas nem todos conseguem se controlar ou distrair diante da tensão, por isso vem o estresse.

 
O tempo é um fator agravante da ansiedade, porque vivemos cronometrados por compromissos. Precisamos aprender que fomos criados para a eternidade (Eclesiastes 3.11), mas somos passageiros e tudo que fazemos é finito (Eclesiastes 3.14,15). Se entendermos que “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3.1) conseguimos viver bem melhor.
Gostaria de vencer a ansiedade?
Vamos aprender um pouco sobre como vencer a ansiedade:
1- O ensino de Jesus sobre a ansiedade: Mateus 6.25-34
Jesus conhecia o coração humano e por isso falou de ansiedade. Poderia tratar de muitos assuntos práticos e reais, mas foi ao profundo da alma das pessoas onde está seu maior sofrimento.

 
Em seu sermão do monte, o Mestre ensinou algumas razões para vencer a ansiedade:
-v.25: a vida é melhor do que tudo o que precisamos e não podemos deixar de viver por causa de coisas ou situações difíceis.
-v.26: podemos observar o cuidado de Deus com cada detalhe na natureza e ter a certeza que também cuida de nós porque temos grande valor para Ele.
-v.27: existem coisas que não podemos mudar, então precisamos conformar até conseguir uma solução, porque a ansiedade só piora a situação.
-v.28-30: não podemos deixar que coisas externas venham atrapalhar o nosso interior, pois tudo isso é perecível, mas a fé é inabalável.
-v.31,32: precisamos desapegar das coisas do mundo que são passageiras e crer que Deus conhece todas as nossas necessidades.
-v.33: a condição para ser bem sucedido é que o Senhor Deus esteja em primeiro lugar em nossas vidas, então todas as demais coisas, nos são acrescentadas (Salmos 37.5).
-v.34: o problema de amanhã deve ser deixado para amanhã. Não adianta sofrer antecipadamente.

Jesus também enfrentou situações naturais da vida, aprendeu a lidar com o tempo, clima, trabalho, sentiu fome, frio e enfrentou tudo o que nós seres humanos vivemos e “foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4.15). Isso mostra que Jesus sabia do que estava falando.
Você está ansioso?
Jesus quer te ajudar vencer a ansiedade!
                              
2- ORAÇÃO, remédio de Deus para a Ansiedade: Filipenses 4.6,7
Os efeitos de um comprimido ou calmante são passageiros e logo exigem uma continuidade do tratamento. Por isso a Bíblia nos ensina um remédio permanente, como uma vacina para a ansiedade.

 
A oração é o remédio de Deus para a ansiedade. Viver em oração apresentando a Deus tudo o que nos incomoda traz uma segurança de que Alguém maior do que nós está nos protegendo.
Vários homens de Deus sofreram ansiedades, como Davi com problemas familiares, Daniel na cova dos leões, Jonas no ventre do peixe, Paulo e Silas na prisão e outros. Todos estes amenizaram seu sofrimento com a oração.
Se você tem medo do passado, Deus perdoa seus pecados e te faz nova criatura (II Coríntios 5.17). Se for algo presente no momento atual de sua vida, saiba que Jesus está com você (Mateus 28.19). Mas se você tem medo do futuro, ou algo que possa te ocorrer, creia que o Eterno sabe de tudo e te guardará (Hebreus 13.8). Então você pode orar a Deus pedindo perdão pelos pecados, proteção para o presente e entregando seu futuro nas mãos do Senhor.
Você toma remédios quando está ansioso?
A oração cura a ansiedade!

Não tente resolver o que só Deus pode fazer!
-CONCLUSÃO: I Pedro 5.7 “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”
A Palavra de Deus nos mostra que podemos ter ansiedade ou anelo por buscar a presença de Deus (Salmos 42.1 e 63.1). Como filhos de Deus, devemos ter saudades da presença de nosso Pai celestial. A presença de Deus traz segurança e anula os efeitos da ansiedade.
Reflita um pouco sobre suas ansiedades:
Você se considera ansioso?
O que te faz sentir ansioso?
Você tem orado por suas ansiedades?
Como se sente depois de orar?
O amanhã pertence a Deus, mas o presente Ele deu a nós. Ao invés de olhar somente para os problemas, contemple a fé no Deus dos impossíveis. Certamente a presença de Deus te traz a segurança que precisa para vencer a ansiedade.
Quer vencer a ansiedade?
Entregue suas preocupações nas mãos de Jesus!

 

A ÚLTIMA LIÇÃO DE JESUS


A ÚLTIMA LIÇÃO DE JESUS
O apóstolo João dedicou 5 capítulos de seu Evangelho (13-17) às últimas horas que Jesus passou acompanhado apenas dos discípulos. Era a última Páscoa, a última refeição, as últimas horas que compartilhavam antes da dramática prisão, julgamento e crucificação do Senhor.

O local escolhido foi o Cenáculo, uma sala ampla situada no primeiro andar de uma residência, previamente, escolhida pelo Senhor (Mc 14. 12-16). Em ocasiões dessa natureza, desde os tempos mais antigos, era costume semita oferecer ao visitante ou peregrino uma bacia com água para a lavagem dos pés antes de achegar-se à mesa para as refeições (Gn 18.4; 19.2). A última lição de Jesus

Na época neotestamentária, Connelly diz que se a visita fosse coletiva e o dono da casa não tivesse condições de cumprir o protocolo, por cortesia, um componente do grupo, voluntariamente, se apresentava para o serviço (2008, p. 109).

Mas, naquela noite, nenhum dos acompanhantes de Jesus desprendeu-se para o gesto singelo e o artigo objetiva refletir TRÊS RAZÕES possíveis para essa indiferença e seus desdobramentos inéditos. “Querer ser o maior, chefe, ainda continua sendo uma poderosa tentação para muitos cristãos” (Pr José Gonçalves). A última lição de Jesus

PRIMEIRA RAZÃO: 
O convívio dos Doze foi marcado por constantes disputas: “Começou uma discussão entre os discípulos acerca de qual deles seria o maior” (Lc 9. 46). Queriam saber quem teria a primazia no colégio apostólico; uma contenda que perpassou o período em que estiveram na companhia do Mestre.

SEGUNDA RAZÃO:

A polêmica cresceu, extrapolou o círculo apostólico e o âmbito terrenal. A esposa de Zebedeu (Salomé) entrou na querela e rogou a Jesus que seus filhos Tiago e João fossem os eleitos para estar à sua direita e esquerda no Reino escatológico.

A atitude da mulher criou um mal estar generalizado, incendiando ainda mais a disputa, porém, o Mestre descartou a concessão de privilégios especiais no Reino vindouro: “Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai” (Mt. 20. 20-28).

TERCEIRA RAZÃO: 

Uma terceira razão para os discípulos não terem se importado em lavar os pés uns dos outros estaria na desvalorização da função naqueles dias, uma ação extremamente humilhante, amiúde, relegada a um servo portador de alguma deficiência física ou mental, incapaz de prestar outro tipo de serviço, como, afirma Connelly, já referenciado.

Nessa trama ardilosa, entende-se por que nenhum deles queria “descer”, “rebaixar-se” e banhar os pés uns dos outros.

“Nunca seremos aptos para o serviço de Deus, se não olharmos para além desta vida passageira” (João Calvino).

… A última lição de Jesus
O gesto de cortesia tornou-se vergonhoso e desprezível naqueles dias, porém, o Mestre resgatou-o em seu ministério (Lc 7. 44), deu-lhe ressignificado, atribuiu-lhe valor de grandeza suprema, imensurável e transcendental em seu Reino:

1. No Reino de Deus, bem aventurados (felizes, abençoados) são os humildes de espírito, os mansos, os famintos, os sedentos de justiça, os que choram (penitentes), os misericordiosos (Mt 5);
2. No Reino de Deus, “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Mc 9. 35);
3. “Aquele que se humilhar como [uma] criança, esse é o maior no Reino dos Céus”(Mt. 18.4);
4. No Reino de Deus, as coisas fracas confundem as fortes, “Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1 Co 1. 27-29). A última lição de Jesus

Entretanto, no imaginário dos Doze, o Reino do Senhor comportaria a reprodução da estrutura social ainda vigente em nossos dias, onde, maior é quem detém o poder político, econômico ou mesmo religioso, tem status social, domina o semelhante.

Mesmo assim, o Mestre não reprendeu seus pupilos, não ordenou que fizessem o procedimento esperado, não cancelou a refeição.
Ele é o “Servo do Senhor”, humilde, manso, obediente (Is 42) e, calmamente perguntou: “Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve: Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós eu sou como quem serve” (Lc 22. 27).

Conforme uma tradição judaica, os pupilos de um rabino tinham a obrigação de prestar-lhe os mesmos serviços de um escravo, exceto, “a lavagem de seus pés, que era serviço por demais braçal e humilde”. Então, Jesus decidiu fazer por seus discípulos o que nem mesmo era esperado deles em seu favor (Robert Gundry: Panorama do Novo Testamento, p. 210).

A ÚLTIMA LIÇÃO DE JESUS
Para perplexidade geral, o Senhor “Levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura [atitude servil]. Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em volta de sua cintura” (Jo 13. 4, 5, Novo testamento NVI).

Com o gesto serviçal Jesus rompeu mais um paradigma cultural na relação mestre-discípulo, ressignificou o sentido de liderança para a cristandade e confidenciou o que esperava deles dali em diante: “Vós me chamais o Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora se eu, sendo o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo. 13. 13,14).

“Que Ele cresça e eu diminua, que Ele apareça e eu me constranja com a sua Glória e todo o seu amor, infinita humildade, servo de todos os irmãos” (Deigma Marques). A última lição de Jesus
Quebrantados, os discípulos entenderam que Jesus não veio ao mundo para distribuir benesses e privilégios para alguns. Após a última lição do Mestre estavam aptos para o querigma evangélico, “A Grande Comissão” (Mt 28. 18-20).

Foram cheios do Espírito Santo (At 2) e esvaziados da ânsia pelo poder. Entenderam que não deveriam buscar honrarias humanas, que a glória dos súditos do Reino encontra-se, unicamente, na cruz do Senhor Jesus Cristo (1 Ts 2. 6; Gl 6.14). A última lição de Jesus

Jesus demonstrou que no Reino de Deus não existe trabalho desonroso ou insignificante. As tarefas que parecem mais simples, realizadas com amor, são inefáveis aos olhos do Senhor. Uma bacia com água e uma toalha permanece para nós como padrão de excelência no serviço aos irmãos.


Título: A última lição de Jesus
Autor: Evaldo Jorge Mendes
Bacharel em Teologia e História:
Professor de História da Igreja FATES-Faculdade Teológica do Espírito Santo na CBN – ES

http://www.copeb.com.br


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