O Artigo 144 do código de Hamurabi



O Artigo 144 do código de Hamurabi previa que uma senhora casada poderia dar sua serva ao seu marido afim de gerar filhos. Isso impossibilitaria o marido de obter uma concubina.

“Se alguém toma uma mulher e esta dá ao marido uma serva e tem filhos, mas o marido pensa em tomar uma concubina, não se lhe deverá conceder e ele não deverá tomar uma concubina.” (código de Hamurabi § 𝟏𝟒𝟒)

    Talvez essa fosse de fato a intenção de Sara ao entregar Agar, sua serva, a Abraão evitando assim que ele tomasse uma concubina e esta gerasse filhos, pois o artigo 146 do código de Hamurabi havia a garantia que os filhos da serva seriam da senhora; e caso houvesse desrespeito, por parte da serva, a senhora poderia reduzir novamente a serva a escravidão, todavia não a poderia vender. 
    
“Se alguém toma uma esposa e essa esposa dá ao marido uma serva por mulher e essa lhe dá filhos, mas, depois, essa serva rivaliza com a sua senhora, porque ela produziu filhos, não deverá sua senhora vendê-la por dinheiro, ela deverá reduzi-la à escravidão e enumerá-la entre as servas.” (código de Hamurabi § 𝟏𝟒𝟔)

     De fato, a ação de Sara estava totalmente acobertada pelas leis da época. Se Abraão tomasse uma concubina, pela lei de Hamurabi, ela não seria igual a Sara, mas teria uma série de direitos, principalmente se tivesse filhos. 

“Se alguém toma uma mulher e essa não lhe dá filhos e ele pensa em tomar uma concubina, se ele toma uma concubina e a leva para sua casa, esta concubina não deverá ser igual à esposa.” (código de Hamurabi § 𝟏𝟒𝟓)

    Já, se Sara oferecesse e desse sua serva Agar, haveria instrumentos legais que a protegeria, conforme o inciso 146 do código de Hamurabi. Coisa que não aconteceria com uma concubina que teria mais direitos que a serva. Logo podemos ver que todo esse procedimento de Sara, em Gn 16.3, tinha a intenção de se proteger, quem sabe de uma ação extrema de Abraão, visto ele ter recebido a promessa de Deus de ter um filho. Sara, em seu desespero, não se enxergou dentro da promessa de Deus, pois talvez tenha pensado que a promessa dizia respeito somente a Abraão e não a ela também. Assim, agiu conforme as leis e costumes da época afim de se proteger. Mas como bem sabemos, sua atitude revelou sua falta de fé, pois a promessa feita a Abraão também a contemplava. Sua atitude precipitada, apesar de ser amparada em lei, era pecado e só trouxe confusão para dentro de sua família. Devemos ter em mente que uma promessa de Deus feita a um pai ou uma mãe envolve toda a família.

𝐑𝐄𝐅𝐄𝐑Ê𝐍𝐂𝐈𝐀
BOUZON, Emanuel, O CÓDIGO DE HAMURABI: INTRODUÇÃO DO TEXTO CUNEIFORME E COMENTÁRIO. Editora vozes; Petrópolis; 2003.

1⃣° Lição, 3⃣° Top.



1⃣° Lição, 3⃣° Top.

Sarai e Abrão estavam bem contentes com Aga, pois ela havia gerado o filho que eles haviam planejados, mas com o passar dos dias o conflito teve início com o desprezo de Agar pela sua senhora Sarai, e com isso as aflições de Agar iniciaram Gn 16.6; quando fala da aflição que Sarai impôs sobre Agar, usa-se o mesmo vocábulo em (Êxo. 1.11), quando fala da aflição do povo no Egito. Segundo John Gill “...não só com palavras, mas com pancadas, conforme alguns pensam, pancadas duras, dando-lhe tarefas que ela não era capaz de cumprir, especialmente nas circunstâncias em que se achava”.
Não a dúvidas que Sarai foi tão severa com Agar, ao ponto de ela fugir da face de Sarai.
Vemos neste momento um Abrão apático, apagado, um homem falho como todos os demais, ele que havia experimentado grande experiência saindo da sua terra, agora, curvado diante da falta de fé. 
Deveria ele ter insistido e confiar em Deus e levar a sua esposa a fazer o mesmo, mas aceitou e participou do plano que excluía a Deus.
Existem momentos de fraqueza na vida de todos, até mesmo as mentes mais espirituais, como a de Abrão, estas mentes que tropeçam e caem, em busca de planos alternativos rápidos, conforme seu coração, mas que não se harmonizam com a vontade de Deus, estejamos preparados e vigilantes (Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca) Mt 26.41.