Uma boa discussão pode surgir nas entrelinhas da exposição da lição 6. O segundo objetivo desta lição é: “Compreender o impacto do Batismo no Espírito Santo no caráter do apóstolo Pedro”. Daí muitos passam a pensar que o batismo no Espírito Santo muda o caráter das pessoas de forma a anular como pensam e agem.
Primeiro, é necessário compreender o que é o caráter. À parte dele mais tangível a nós chamamos de temperamento. Leciona a psicóloga Thaiana Brotto: “Os temperamentos são os fragmentos que constroem a nossa personalidade, refletindo no nosso comportamento na vida. Eles estão relacionados diretamente com a nossa forma de sentir o mundo, com os valores recebidos desde a infância, interesses e habilidades” [1].
A psicologia afirma que há quatro tipos de temperamento e como cada pessoa de um dos grupos se comporta:
a) colérico (são resilientes, mas impacientes);
b) sanguíneo (são extrovertidos, mas invasivos e inconvenientes);
c) fleumático (são adaptativos, mas indecisos);
d) melancólico (são resistentes, mas antissociais).
O caráter de Pedro tinha a marca da intempestividade, do tipo que não levava recado pra casa. Quem sabe sua dura vida de pescador enxergava a vida sem rodeios. E aí? Após batizado se tornou mais calmo e razoável? É isso que pensamos muitas vezes, mas estamos enganados.
O Espírito Santo não anula quem somos. Ele trabalha em quem somos! Pedro continuou a ser desassombrado (At 2:14), corajoso (At 3:4; 9:40), contestador (At 11:2; Gl 2:11), meticuloso (At 11:4). Não há, por exemplo, mudanças em outros traços pessoais como tom de voz, bom humor e tirocínio.
Ou seja, o Espírito Santo irá potencializar o que lhe agrada em nosso caráter. Somos desassombrados? O Espírito Santo irá usar essa característica para a glória de Deus! O batismo no Espírito Santo veio destacar as características marcantes da personalidade de Pedro revertendo-as no crescimento da Obra de Deus!
Por outro lado, o trabalho do Espírito Santo consiste em que possamos colocar as áreas nas quais há graves falhas de caráter em suas mãos. Um homem violento será instado a reprimir seu açodamento e sentirá a repreensão se não o fizer. Um cleptomaníaco será exortado pela Palavra a não mais roubar (Ef 4:28).
Um último aspecto importante é que há coisas com as quais podemos lidar nós mesmos. Geralmente, oramos pedindo para que Deus tire algo de nós que não lhe agrada. Mas somos nós mesmos que devemos fazê-lo! Por isso devemos orar: “Mostra-me, Espírito Santo, o que não te agrada, para que eu mesmo possa tirar isso de minha vida!”. Naquilo que é impossível a nós, submetamo-nos ao seu cuidado insondável.
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